Estou com dor. Devo parar de me movimentar?

Quando alguma parte do corpo começa a doer, a reação mais natural costuma ser evitar o movimento.

“É melhor não mexer.”

“Vou esperar passar.”

“Se eu fizer esforço, pode piorar.”

Esse cuidado pode parecer lógico. Afinal, se algo está doendo, por que continuar movimentando?

Mas a relação entre dor e movimento é mais complexa do que simplesmente “movimentar faz mal” ou “movimentar faz bem”.

Em muitos casos, o movimento pode fazer parte da própria recuperação.

Dor significa que existe uma lesão?

Nem sempre.

A dor é uma experiência do organismo que envolve diferentes fatores. Uma lesão pode estar presente, mas a intensidade da dor nem sempre corresponde diretamente ao tamanho de uma alteração nos tecidos.

Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas apresentam alterações em exames de imagem sem sentir dor, enquanto outras podem sentir bastante desconforto mesmo quando os exames não mostram alterações significativas.

Por isso, sentir dor não significa automaticamente que você está “machucando mais” o corpo cada vez que se movimenta.

É necessário compreender o contexto.

Mas e quando o movimento aumenta a dor?

Aqui está uma diferença importante.

Sentir algum desconforto durante um movimento não significa necessariamente que exista uma lesão acontecendo.

Por outro lado, também não significa que devemos simplesmente ignorar qualquer dor e continuar fazendo tudo normalmente.

O movimento precisa ser avaliado e dosado.

Dependendo da condição, pode ser necessário modificar a amplitude, reduzir a intensidade, escolher outro exercício ou trabalhar inicialmente uma capacidade diferente.

É por isso que uma orientação individualizada pode ser tão importante.

O medo de se movimentar pode mudar a forma como você se move

Quando uma pessoa passa a associar determinado movimento à dor, ela pode começar a evitá-lo.

Aos poucos, pode deixar de agachar, levantar objetos, caminhar por mais tempo ou praticar atividades que antes faziam parte da rotina.

O problema é que essa redução de movimento pode fazer com que a pessoa perca confiança e capacidade para realizar determinadas tarefas.

E então surge um ciclo:

dor → medo → menos movimento → perda de capacidade → mais insegurança para se movimentar.

Romper esse ciclo não significa forçar o corpo.

Significa reconstruir a confiança no movimento de maneira progressiva e segura.

Então devo continuar fazendo exercício mesmo com dor?

A resposta depende.

Não existe uma regra única que sirva para todas as pessoas e todos os tipos de dor.

Em algumas situações, permanecer ativo pode ser importante. Em outras, determinados movimentos ou atividades podem precisar de adaptações temporárias.

O papel da fisioterapia é justamente ajudar a entender essas diferenças.

Em vez de simplesmente dizer “faça exercício” ou “não faça exercício”, é possível avaliar:

  • Quais movimentos são confortáveis;
  • Quais movimentos provocam sintomas;
  • Como está sua força;
  • Como está sua mobilidade;
  • Quais atividades você precisa ou deseja voltar a realizar;
  • Qual é a sua capacidade atual;
  • Como progredir de maneira adequada.

Movimento não precisa ser sinônimo de esforço intenso

Quando falamos em movimento, muitas pessoas imaginam academia, corrida ou exercícios difíceis.

Mas movimento também significa caminhar, levantar da cadeira, alcançar um objeto, subir escadas, carregar compras ou realizar as tarefas da rotina.

Para uma pessoa que está com dor, o primeiro objetivo pode não ser fazer um treino intenso.

Pode ser simplesmente recuperar a confiança para voltar a fazer algo que deixou de fazer.

Depois, a capacidade pode ser desenvolvida progressivamente.

E o Pilates?

O Pilates Clínico pode ser uma das ferramentas utilizadas nesse processo.

Os exercícios podem ser adaptados de acordo com o momento e as características de cada pessoa.

A proposta não é colocar o paciente em uma sequência pronta de exercícios.

É encontrar movimentos que sejam adequados ao seu nível atual e, progressivamente, aumentar sua capacidade.

Isso pode ser especialmente importante para quem passou a ter medo de se movimentar depois de um período de dor.

O objetivo não é nunca mais sentir dor

Essa talvez seja uma das mudanças mais importantes na maneira de pensar sobre o tratamento.

O objetivo não precisa ser construir um corpo que nunca mais sentirá qualquer desconforto.

O corpo muda, envelhece, recebe cargas e enfrenta diferentes situações.

O objetivo pode ser desenvolver mais capacidade para lidar com essas demandas.

Ter força para carregar uma mala.

Ter mobilidade para brincar no chão com os filhos ou netos.

Conseguir caminhar durante uma viagem.

Voltar a praticar um esporte.

Trabalhar sem precisar pensar constantemente na coluna.

É isso que torna o movimento tão importante.

Quando procurar uma avaliação?

Se a dor está fazendo você evitar atividades importantes, limitando seus movimentos ou gerando medo de se exercitar, uma avaliação fisioterapêutica pode ajudar.

O profissional poderá entender o seu quadro e orientar quais movimentos e atividades são adequados para aquele momento.

E, principalmente, ajudar você a recuperar gradualmente a confiança no próprio corpo.

Na visão da AVÊNI

Na AVÊNI, não acreditamos que o tratamento da dor seja simplesmente “mandar o paciente se mexer”.

Também não acreditamos que a solução seja manter o corpo parado por medo da dor.

Entre o excesso e o medo existe um caminho: compreender, adaptar e progredir.

O tratamento começa entendendo a pessoa, sua dor, sua rotina e aquilo que ela deseja voltar a fazer.

A partir daí, diferentes recursos podem ser utilizados — fisioterapia, terapia manual, Pilates Clínico, exercícios terapêuticos e outras estratégias — de acordo com cada necessidade.

Porque recuperar o movimento não significa apenas movimentar o corpo.

Significa recuperar possibilidades.

AVÊNI Fisioterapia Integrada
Tratamento além do sintoma.

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